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Resíduos de Construção e Demolição - Problemas e Soluções

16 Oct 2017

O crescimento demográfico das últimas décadas causou efeitos tanto positivos quanto negativos. Com mais pessoas no mundo, maior a demanda por construção de habitações. A economia cresce, o PIB aumenta gradativamente, no entanto, paralelamente, crescem os impactos ambientais e sociais como sintomas de uma urbanização desenfreada. Em razão disso, o macrocomplexo da construção civil no Brasil e no mundo cresce com  significativa carência de planejamento e sustentabilidade, o que confere a esse setor o título de maior consumidor de recursos naturais e maior gerador de resíduos sólidos.

 

 

 

 

 

Estatísticas apontam que o consumo de recursos naturais pela Construção Civil em cidades brasileiras médias e grandes corresponde de 40 a 70% do total. Além disso, estima-se que os Resíduos de Construção e Demolição correspondam a 40% de todos os resíduos gerados na economia. A indústria cimenteira, cujo objetivo principal é abastecer o construbusiness*, é responsável pela emissão de mais de 6% de CO2.

 

Diante de tantos problemas causados pelo crescimento do construbusiness, surgem algumas propostas que visam melhorar o atual panorama, tais como:

 

  • Minimizar o consumo de recursos, diminuindo os impactos gerados não apenas pelo acúmulo dos resíduos, mas também pelo transporte e extração de materiais – fase que representa 80% do consumo energético na construção de um edifício;

  • Maximizar a reutilização de recursos por meio da reutilização de materiais e componentes. Um exemplo disso encontra-se na construção da UnB, em que se reutilizava em 18 vezes a mesma fôrma de madeiras compensada para moldagem de vigas de concreto armado no canteiro de obras;

  • Usar recursos recicláveis ou biodegradáveis e não tóxicos. Escolher materiais que apresentam maior facilidade de retornar ao ciclo industrial do ponto de vista social, ambiental e econômico. Ademais, priorizar também materiais que possam se decompor e fornecer nutrientes para a natureza postumamente ao seu ciclo de vida útil diminuindo, assim, os impactos gerados pelo acúmulo de resíduos em aterros. Além disso, valorizar também a saúde humana, escolhendo materiais não tóxicos;

  • Buscar a durabilidade dos edifícios não apenas por meio da escolha de materiais de qualidade, manutenções periódicas e dimensionamentos adequados, mas também, por meio de designs que possibilitem a readequação dos edifícios às mudanças nas necessidades dos usuários. Em outras palavras, a durabilidade deve combater, além da degradação física dos materiais e componentes, a degradação social, vista como consequência de mudanças nas necessidades e gostos dos usuários ao longo do tempo.

 

Nesse sentido, percebe-se que a reciclagem está longe de ser a única solução e que é preciso ter uma mudança de valores não apenas pelas empresas envolvidas mas também pelos clientes (todos nós).

 

O setor da Construção Civil é o que mais recicla no Brasil, aproveitando grande parte de resíduos das indústrias siderúrgicas como a escória de alto forno** nas armaduras de concreto armado e a microssílica*** no cimento Portland.

Por outro lado, quando observados os Resíduos de Construção e Demolição (RCD), nota-se que a reciclagem está muito abaixo do esperado. Enquanto países como a Holanda reciclam cerca de 90% desses resíduos, o Brasil recicla apenas 21% (em detrimento dos 19% de poucos anos atrás). No país  existem 310 usinas de reciclagem, dentre as quais apenas 74% operam plenamente, ou seja, o potencial de crescimento da reciclagem de RCD é muito grande mas ainda falta incentivo do governo, conhecimento do mercado e resíduos de qualidade.

 

Segundo uma pesquisa da ABRECON, as principais causas  de dificuldade na venda de agregado são:

 

 

A reciclagem é um setor que apresenta inúmeras vantagens mas que enfrenta muitas dificuldades seja por questões políticas, burocráticas e técnicas, seja por  falta de conhecimento do mercado consumidor, o qual muitas vezes repudia os agregados reciclados acreditando que sua qualidade é inferior. Nesse sentido, para contrariar essa postura conservadora, seguem as principais vantagens da reciclagem:

 

  • Os altos preços para deposição de resíduos em aterros (U$S 100,00/ton na cidade de São Paulo) tornam a reciclagem mais atrativa do ponto de vista financeiro para os geradores de resíduos;

  • A reciclagem reduz o volume de extração de matérias-primas, ou seja, recursos naturais limitados, minimizando os impactos gerados pela extração e também pelo transporte de materiais, uma vez que a distância entre o material reciclado e o canteiro de obras pode se tornar substancialmente menor do que a distância de uma jazida. Em São Paulo, por exemplo, o esgotamento de reservas próximas da capital faz com que a areia natural seja transportada por mais de 100km;

  • A produção de materiais reciclados, normalmente, exige bem menos energia que a produção de materiais a partir de matérias-primas, demandando, portanto, menos custos e acarretando em menos impactos ambientais;

  • Redução da poluição, como no caso da incorporação de escórias e pozolanas, reduzindo a emissão de CO2 por evitar a calcinação da matéria-prima – processo que libera, para cada tonelada de cal virgem, 785kg de CO2. A calcinação torna a indústria cimenteira responsável por mais de 6% de CO2 gerado no Brasil;

  • A incorporação de resíduos permite a produção de materiais de melhor qualidade,como a adição de microssílica, viabilizando concretos de alta resistência mecânica;

  • A reciclagem promove a redução de aterros e, consequentemente, o arrefecimento de contaminação ambiental, contaminação dos lençóis freáticos, problemas de saneamento público e custos sociais no gerenciamento de resíduos.

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